Vídeos sobre cursos de graduação da UFSCar são traduzidos para Língua Brasileira de Sinais
Tradução da série 'Que Curso Eu Faço?' envolveu desafios frente às poucas experiências de vocabulário científico na Língua Brasileira de Sinais e à ausência de normas específicas para as traduções de vídeos


Notícia criada em 06/09/2016 as 15:24 h
Atualizada em 06/09/2016 as 15:25 h

Uma parceria entre o Laboratório Aberto de Interatividade para a Disseminação do Conhecimento Científico e Tecnológico (LAbI) e o curso de graduação em Tradução e Interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras)/Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está possibilitando a acessibilidade para pessoas surdas dos vídeos de divulgação dos cursos da Universidade. Os vídeos da série "Que Curso Eu Faço?" são produzidos desde o ano passado em iniciativa conjunta do LAbI com a Coordenadoria de Ingresso na Graduação da Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad), com o objetivo de divulgar as oportunidades oferecidas pela Universidade a estudantes do Ensino Médio. Com a criação do bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras, e a contratação de profissionais da área, surgiu a possibilidade de tornar o material acessível para pessoas surdas.

A iniciativa trouxe desafios tanto para a equipe do LAbI como para a equipe técnica de tradução para Libras em dois principais aspectos: a ausência de normas específicas para as traduções de vídeos e as poucas experiências de vocabulário científico na Língua de Sinais. A baixa presença de pessoas surdas que utilizam a Língua de Sinais na Ciência faz com que diversas termos em Português ligados ao meio acadêmico não tenham correspondentes consolidados em Libras. Para isso, a equipe realizou um extenso trabalho para que a tradução fosse eficiente.

Anderson Marques da Silva, técnico em tradução e interpretação da UFSCar, explica que para um vídeo de cinco minutos, por exemplo, são gastas cerca de cinco horas entre pesquisas, ensaios e testes, com o apoio de docentes e estudantes surdas da Instituição, que auxiliaram na avaliação dos materiais. "Nosso objetivo não é somente fazer traduções inteligíveis, mas também fazer com que seja atrativo para o público surdo. Não sabemos se quem vai assistir tem muita ou pouca fluência em Libras, se tem boa leitura em Português, e esses aspectos precisam ser considerados", explica.

Foram testadas também as diferentes formas de posicionar as imagens da tradução na tela, inseridas no processo de edição dos vídeos. Além disso, com o início das traduções dos vídeos já em andamento, a equipe do LAbI passou a pensar as gravações já considerando o espaço para a Língua de Sinais. "Neste processo, fomos aprendendo quais as formas mais eficientes, e criando um modelo que ainda não é consolidado para as traduções de vídeos. Tivemos a oportunidade de experimentar diversas formas e aprender detalhes técnicos de produção audiovisual", afirma Adauto Antônio Caramano, também técnico em tradução e interpretação.

Na avaliação da equipe responsável pelas traduções, a iniciativa contribui para a mudança na visão da acessibilidade como um apêndice, para passar a ser entendida como integrante do todo. "A acessibilidade costuma ser vista como uma coisa feia, que atrapalha o valor estético. Nós queremos trabalhar esta estética da acessibilidade, para que a tradução faça parte do vídeo", afirma Silva. A iniciativa também contribui para a formação da equipe técnica de tradução e interpretação, que auxiliará estudantes do curso na sua formação para trabalhar com traduções de vídeos.

Os vídeos estão disponíveis no site do LAbI, em www.labi.ufscar.br.

 

Coordenadoria de Comunicação Social - Universidade Federal de São Carlos

 

 
 

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